Estilo Natural
Edição 14 - Outubro/2004
Sumário da Edição
Edições Anteriores
Editorial
Cartas
Pura Essência
Pergunte ao
especialista
Faz bem ou faz mal?
Sabor e saúde
Comida de alma
Laços de família
Beleza natural
Armazém
Atitude solidária
Empório natural
Consciência
Tempo livre
Agenda
Lugares
Fale Conosco
Assine já
Anuncie
Expediente
Para cadastrados
Para assinantes
Na revista impressa




  Relacionamentos que são para sempre

CARMINHA LEVY
CARMINHALEVY@UOL.COM.BR

KRIZ KNACKSabemos que tudo na vida é incerto - a começar pelo tempo aqui na capital paulista, onde no mesmo dia temos as quatro estações do ano. Só há uma exceção a essa regra: as relações consangüíneas. Pai será sempre pai, mãe idem. Ex-esposa e ex-marido continuam sendo mãe e pai de seus filhos. Mesmo os abandonados, que não conhecem o pai, carregam nos gens o DNA dele. Partindo desse princípio, vamos fazer uma leitura das relações familiares despida do glamour com que se diz "mãe só tem uma" e encarar a pouca seriedade com que muitos casais separados se relacionam com os filhos.

Sabemos que o amor de mãe é o mais forte sentimento humano. O seio que nos nutriu, o ventre que se fez carne, a relação única e prazerosa de estar num útero protegido leva o ser humano a pôr em plano secundário o papel do pai e a esquecer que, sem o seu sêmen, a vida não teria ocorrido. Mas a figura paterna é também arquetípica.

Temos de fazer justiça e trazer à luz da consciência coletiva que, cada vez mais, o pai ganha espaço na educação amorosa dos filhos. Aliás, nem sempre o amor de mãe é incondicional. Há mulheres, tanto ricas como pobres, que rejeitam o filho desde a barriga, seja por temer deformar o corpo, seja por ser ele mais uma boca para alimentar.

Com o pai também pode ocorrer a rejeição - às vezes, uma noite de sexo desavisado gera um filho que não faz parte do projeto de vida dele; não há laços que o prendam à mulher, que pode até tê-lo "usado" para concretizar o desejo de ser mãe. Seria de supor que tais crianças também rejeitassem a idéia de mãe ou pai. Não é o que acontece. No mais profundo "eu" de todas elas há um desejo, uma nostalgia pela mãe ou pelo pai. A não ser que tenham a sorte de ser muito amadas por pais substitutos, a ferida nunca será curada.

"Existe um ex-marido, mas nunca um ex-pai ou ex-mãe"

Esse anseio filial sofre um profundo golpe quando os pais se separam. O ideal seria que eles continuassem sempre amigos. Mas isso é uma exceção. Em geral, vemos pais separados usarem os filhos para obter poder um sobre o outro. Cria-se, assim, uma geração de adultos imaturos, que ou "só amam mamãe" ou "só amam papai". A situação se reflete, por exemplo, em suas amizades, que vivem sendo trocadas. Como esses filhos não aceitam no outro a parte do pai ou da mãe internalizadas, não percebem que o amor é um só - e pode ser recebido e dado de maneira fluida e poderosa.

Tudo isso precisa ser levado em conta por casais que se separam e por filhos que se sentem rejeitados pelos pais - e vice-versa. Tomemos um caso corriqueiro: o de filhos que, já crescidos, brigam com os pais e os abandonam (imaginando que eles é que foram abandonados na infância). Mais tarde, em geral na meia-idade, quando já têm por sua vez os próprios filhos adolescentes, sentem nostalgia pelos pais e desejo de perdoá-los, de ser tolerantes com suas "tiranias".

Se é esse o seu caso, não perca tempo: restaure esse pai, essa mãe no seu coração. Se ainda puder, vá vê-los, reencontrá- los à luz das precariedades humanas - graças às quais não somos perfeitos, mas inteiros.

CARMINHA LEVY É ARTETERAPEUTA, PSICÓLOGA JUNGUIANA, MESTRE XAMÂNICA, FUNDADORA E PRESIDENTE DA PAZ GÉIA, ESCOLA DE XAMANISMO.


Faça já sua busca
no site da revista Estilo Natural

Cadastre-se já no boletim da revista Estilo Natural



Copyright © 2007 - Símbolo Comunicação - Direitos reservados
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação sem autorização.