Estilo Natural
Edição 15 - Novembro/2004
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  Relacionamentos que são para sempre

CARMINHA LEVY
CARMINHALEVY@UOL.COM.BR

FOTO: KRIZ KNACK
Nas últimas décadas, nós, mulheres, voltamos a usar a coroa da nossa dignidade. Desde que deixamos de imitar os homens no que eles têm de mais lamentável, readquirimos a força do feminino. Aos poucos, conquistamos espaço nas empresas e na política, sempre com nossa sabedoria de "ver o outro". Nós nos associamos com o masculino interno de forma harmoniosa e estamos sendo seguidas pelos homens, que se tornaram mais sensíveis e colaboradores. De modo geral, nosso desempenho privilegia a cooperação em detrimento da competição, favorecendo o trabalho em equipe e dando ênfase à intuição e à criatividade. Mas algo está saindo fora desse contexto; isso está se revelando em uma estranha conduta das meninas.

Minha atenção para esse fato foi despertada inicialmente pela ficção, confirmando que o artista lê a alma do ser humano. Filmes como Aos Treze, da diretora Catherine Hardwicke, começaram a invadir as telas. Na história, Tracy (Evan Rachel Wood), garota ingênua criada por uma mãe permissiva e ausente, vive uma espécie de iniciação às avessas: para entrar no grupo quebra todas as regras, submetendo- se a provas impostas pelas "veteranas", chegando ao crime. Em seguida, vieram artigos em revistas a respeito de a crueldade das meninas estar se revelando maior que a dos meninos. Vale tudo para ser aceita ou manter o papel de líder.

"Nosso poder e nossa força está em sermos acolhedoras, fraternas"

Nos colégios, as garotas fazem terrorismo contra os meninos, usando para tal (pasmem!) seus poderes de "bruxa". Eles são ameaçados com sortilégios, não de amor como nos tempos românticos, mas de maldições sobre a família. Tudo concretizado em feitiços que são entregues às próprias "vítimas" aterrorizadas! "Brincadeiras" em que só um dos lados se diverte... E a ultima é via internet. Em suas casas, as meninas se escondem atrás de e-mails para agredir as amigas. O que começa com um simples ataque à aparência, à falta de popularidade, vai num crescendo que chega a preconceitos raciais, religiosos e preferências sexuais.

Diz o velho ditado que só agimos quando as coisas acontecem conosco. Então, antes que isso chegue às nossas casas, sugiro: vamos rever nossos valores e observar como eles se refletem na feminilidade. Cabe sobretudo às mães transmitir às filhas que esses comportamentos não espelham nosso real poder e pesquisar o porquê desse equívoco.

Nossa força está em sermos "redondas", acolhedoras como um colo de mãe, cheias de bondade, fraternidade e calor humano. Essa é nossa beleza, que não consiste em consumir o último jeans de grife nem na malhação obsessiva do corpo. É uma luz que vem de dentro: das amizades que construímos, do amor pelo conhecimento, da solidariedade; enfim, de tudo que faz o olhar brilhar com a intensidade inconfundível de quem está de bem consigo mesma.

Há questões ancestrais que passam de uma geração a outra. Será que as meninas estão destilando uma raiva da qual suas mães nunca se conscientizaram? Se achar que este quadro faz sentido para você, reveja sua realidade hoje e mude essa energia. Não carregue mais pesos mortos do passado, que só desfiguram a beleza de ser mulher.

CARMINHA LEVY É ARTETERAPEUTA, PSICÓLOGA JUNGUIANA, MESTRE XAMÂNICA, FUNDADORA E PRESIDENTE DA PAZ GÉIA, ESCOLA DE XAMANISMO.
CARMINHALEVY@UOL.COM.BR

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