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Relacionamentos que são para sempre
CARMINHA LEVY CARMINHALEVY@UOL.COM.BR
Nas últimas décadas, nós,
mulheres, voltamos a usar a coroa da nossa dignidade. Desde que deixamos de imitar
os homens no que eles têm de mais lamentável, readquirimos a força do feminino.
Aos poucos, conquistamos espaço nas empresas e na política, sempre com nossa sabedoria
de "ver o outro". Nós nos associamos com o masculino interno de forma harmoniosa
e estamos sendo seguidas pelos homens, que se tornaram mais sensíveis e colaboradores.
De modo geral, nosso desempenho privilegia a cooperação em detrimento da competição,
favorecendo o trabalho em equipe e dando ênfase à intuição e à criatividade. Mas
algo está saindo fora desse contexto; isso está se revelando em uma estranha conduta
das meninas.
Minha atenção para esse fato foi despertada inicialmente
pela ficção, confirmando que o artista
lê a alma do ser humano. Filmes como Aos Treze,
da diretora Catherine Hardwicke, começaram a
invadir as telas. Na história, Tracy (Evan Rachel
Wood), garota ingênua criada por uma mãe permissiva
e ausente, vive uma espécie de iniciação às avessas:
para entrar no grupo quebra todas as regras, submetendo-
se a provas impostas pelas "veteranas",
chegando ao crime. Em seguida, vieram artigos em
revistas a respeito de a crueldade das meninas estar
se revelando maior que a dos meninos. Vale tudo
para ser aceita ou manter o papel de líder.
"Nosso poder e nossa força está em
sermos acolhedoras, fraternas" |
Nos colégios, as garotas fazem terrorismo contra
os meninos, usando para tal (pasmem!) seus poderes
de "bruxa". Eles são ameaçados com sortilégios,
não de amor como nos tempos românticos, mas
de maldições sobre a família. Tudo concretizado em
feitiços que são entregues às próprias "vítimas" aterrorizadas!
"Brincadeiras" em que só um dos lados
se diverte... E a ultima é via internet. Em suas casas,
as meninas se escondem atrás de e-mails para
agredir as amigas. O que começa com um simples
ataque à aparência, à falta de popularidade, vai
num crescendo que chega a preconceitos raciais,
religiosos e preferências sexuais.
Diz o velho ditado que só agimos quando as coisas
acontecem conosco. Então, antes que isso chegue
às nossas casas, sugiro: vamos rever nossos valores
e observar como eles se refletem na feminilidade.
Cabe sobretudo às mães transmitir às filhas
que esses comportamentos não espelham nosso real
poder e pesquisar o porquê desse equívoco.
Nossa força está em sermos "redondas", acolhedoras
como um colo de mãe, cheias de bondade, fraternidade
e calor humano. Essa é nossa beleza, que
não consiste em consumir o último jeans de grife
nem na malhação obsessiva do corpo. É uma luz que
vem de dentro: das amizades que construímos, do
amor pelo conhecimento, da solidariedade; enfim,
de tudo que faz o olhar brilhar com a intensidade inconfundível
de quem está de bem consigo mesma.
Há questões ancestrais que passam de uma geração
a outra. Será que as meninas estão destilando
uma raiva da qual suas mães nunca se conscientizaram?
Se achar que este quadro faz sentido para você,
reveja sua realidade hoje e mude essa energia.
Não carregue mais pesos mortos do passado, que só
desfiguram a beleza de ser mulher.
CARMINHA LEVY É ARTETERAPEUTA, PSICÓLOGA JUNGUIANA,
MESTRE XAMÂNICA, FUNDADORA E PRESIDENTE DA PAZ GÉIA,
ESCOLA DE XAMANISMO.
CARMINHALEVY@UOL.COM.BR |
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