Que saudades do seu Juan,
o churreiro espanhol velhinho que ficava na porta da escola. Assim que
eu chegava no colégio, colhia algumas moedas no bolso da mochila e ficava
ali junto ao carrinho observando atenta seu doce ofício. Lembro com água
na boca dos churros dourados e crocantes que saíam de sua frigideira borbulhante
para uma mistura perfumada de açúcar e canela. Suas mãos grandes colhiam
a massa frita da farofa doce e puxavam com delicadeza uma velha alavanca
que, em segundos, preenchia o churro com uma generosa porção de doce de
leite. Recordo-me de sempre pedir um chorinho de recheio, que vinha escorrendo
morno pelos meus dedos.
Numa dessas tardes preguiçosas de sábado me deu uma vontade incontida
de resgatar aquele sabor deixado na infância. Resolvi passar na porta
da escola em busca de notícias do seu Juan e daquela saudosa receita.
No canto onde ele costumava ficar havia um pipoqueiro que disse nunca
ter ouvido falar do seu Juan. Voltei para casa um pouco abatida, mas decidida
a encontrá-lo nas minhas lembranças. Peguei uma receita de churros num
livro qualquer, adicionei o carinho e a dedicação que aprendi dia a dia
naquele carrinho e lá estava ele, sorridente, caprichando no chorinho
de doce de leite.
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| Dourados e crocantes, os churros resgatam memórias da infância |
Churros
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