Estilo Natural
Edição 19 - Março/2005
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CARMINHA LEVY - CARMINHALEVY@UOL.COM.BR

KRIZ KNACKUm fenômeno mundial vem crescendo dia a dia, como um surto: a praga da pedofilia. Por ter chegado à internet, passou a ser divulgada em sites pornográficos e salas de bate-papo. Se por um lado isso trouxe o problema para dentro de nossos lares, por outro facilitou a descoberta de várias redes, levando a polícia a pegar os culpados.

Comecei a refletir sobre esse malfadado fenômeno e nossa parcela de responsabilidade nele. Pois a vítima tem sempre uma condição que deflagra o vitimador. Uma criança sem assistência dos pais, por exemplo, está mais sujeita a passar por esse sofrimento, assim como uma mulher que pede carona à noite, numa estrada, é forte candidata ao estupro.

"crianças precocemente sexualizadas correm mais riscos"

Dentro desse raciocínio, qual seria o papel desempenhado pela vítima nos casos de pedofilia? Claro que existe desde a sedução do criminoso, que se revela sutilmente nos parques, shoppings e na internet, até monstruosas barbaridades divulgadas pela mídia. É justamente esse excesso de exposição que, a meu ver, agrava o problema. Pois a televisão enfatiza não só as notícias sensacionalistas como põe em evidência, em todos os horários, o sexo como um novo deus a ser reverenciado.

Cabe aqui um alerta aos pais, em especial às mães: como você está educando sua filha? Faz dela uma vitrine de "roupitas" e sandalinhas da moda, que a tornam precocemente adulta? Vejo meninas de 6 anos de idade parecendo moças sedutoras, com roupas, batonzinhos e trejeitos sexies iguais aos das estrelas da tevê que elas admiram. Você, mãe, tem o dever de impedi-la de usar essa indumentária que a torna desejada sexualmente, pois sua criança corre o mesmo perigo da garota que se atreve a pegar carona com desconhecidos.

O fato é que já não se fazem crianças como antigamente. Até as bonecas são sexualizadas! Quando se juntam, as meninas parecem minimulheres, fofocando sobre os meninos. Não como as antigas luluzinhas, que tinham um clube onde os bolinhas não entravam, e sim trocando confidências sobre "namoro e beijo na boca" - que os garotos nessa idade acham que é "eca", um nojo.

E onde mora o perigo para eles? Exatamente na amada internet. Refiro-me a meninos um pouco mais velhos, superestimulados pela sexualidade das meninas, mas com medo de chegar perto delas. Nada mais "protegido" do que aprender sobre sexo com um amigo mais experimentado, que sedutoramente se oferece como professor. Entendeu como a vítima faz o papel complementar ao do vitimador? Os pedófilos disfarçam-se nas salas de bate-papo, enquanto você vê, inocentemente, seu filho pesquisando com grande empenho.

A banalização do sexo está impedindo nossas crianças de viver a inocência da infância, das brincadeiras de pega-pega, esconde-esconde, roda, bolinha de gude, e a maravilhosa capacidade de ouvir histórias, que as induziam a criar um mundo de fantasia próprio, sem a pré-fabricação da tevê.

Essa brecha está impedindo que as etapas da vida, inclusive as sexuais, sejam vividas na hora certa. Cria-se, assim, uma futura geração de adultos imaturos, que buscam parceiros que lhes tragam a imediata satisfação sexual, sem os laços indispensáveis do afeto - sentimento que garante as uniões fundamentadas na base sólida do amor.

CARMINHA LEVY É ARTETERAPEUTA, PSICÓLOGA JUNGUIANA, MESTRE XAMÂNICA, FUNDADORA E PRESIDENTE DA PAZ GÉIA, ESCOLA DE XAMANISMO, EM SÃO PAULO.

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