Um
fenômeno mundial vem crescendo dia a dia, como um surto: a praga
da pedofilia. Por ter chegado à internet, passou a ser divulgada em sites
pornográficos e salas de bate-papo. Se por um lado isso trouxe o problema
para dentro de nossos lares, por outro facilitou a descoberta de várias
redes, levando a polícia a pegar os culpados.
Comecei a refletir sobre esse malfadado fenômeno e nossa parcela de responsabilidade
nele. Pois a vítima tem sempre uma condição que deflagra o vitimador.
Uma criança sem assistência dos pais, por exemplo, está mais sujeita a
passar por esse sofrimento, assim como uma mulher que pede carona à noite,
numa estrada, é forte candidata ao estupro.
"crianças precocemente sexualizadas
correm mais riscos" |
Dentro desse raciocínio, qual seria o papel desempenhado pela vítima
nos casos de pedofilia? Claro que existe desde a sedução do criminoso,
que se revela sutilmente nos parques, shoppings e na internet, até monstruosas
barbaridades divulgadas pela mídia. É justamente esse excesso de exposição
que, a meu ver, agrava o problema. Pois a televisão enfatiza não só as
notícias sensacionalistas como põe em evidência, em todos os horários,
o sexo como um novo deus a ser reverenciado.
Cabe aqui um alerta aos pais, em especial às mães: como você está educando
sua filha? Faz dela uma vitrine de "roupitas" e sandalinhas da moda, que
a tornam precocemente adulta? Vejo meninas de 6 anos de idade parecendo
moças sedutoras, com roupas, batonzinhos e trejeitos sexies iguais aos
das estrelas da tevê que elas admiram. Você, mãe, tem o dever de impedi-la
de usar essa indumentária que a torna desejada sexualmente, pois sua criança
corre o mesmo perigo da garota que se atreve a pegar carona com desconhecidos.
O fato é que já não se fazem crianças como antigamente. Até as bonecas
são sexualizadas! Quando se juntam, as meninas parecem minimulheres, fofocando
sobre os meninos. Não como as antigas luluzinhas, que tinham um clube
onde os bolinhas não entravam, e sim trocando confidências sobre "namoro
e beijo na boca" - que os garotos nessa idade acham que é "eca", um nojo.
E onde mora o perigo para eles? Exatamente na amada internet. Refiro-me
a meninos um pouco mais velhos, superestimulados pela sexualidade das
meninas, mas com medo de chegar perto delas. Nada mais "protegido" do
que aprender sobre sexo com um amigo mais experimentado, que sedutoramente
se oferece como professor. Entendeu como a vítima faz o papel complementar
ao do vitimador? Os pedófilos disfarçam-se nas salas de bate-papo, enquanto
você vê, inocentemente, seu filho pesquisando com grande empenho.
A banalização do sexo está impedindo nossas crianças de viver a inocência
da infância, das brincadeiras de pega-pega, esconde-esconde, roda, bolinha
de gude, e a maravilhosa capacidade de ouvir histórias, que as induziam
a criar um mundo de fantasia próprio, sem a pré-fabricação da tevê.
Essa brecha está impedindo que as etapas da vida, inclusive as sexuais,
sejam vividas na hora certa. Cria-se, assim, uma futura geração de adultos
imaturos, que buscam parceiros que lhes tragam a imediata satisfação sexual,
sem os laços indispensáveis do afeto - sentimento que garante as uniões
fundamentadas na base sólida do amor.
CARMINHA LEVY É ARTETERAPEUTA, PSICÓLOGA JUNGUIANA, MESTRE XAMÂNICA,
FUNDADORA E PRESIDENTE DA PAZ GÉIA, ESCOLA DE XAMANISMO, EM SÃO PAULO.