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Cinco, Seis, sete, oito, vira.
Pliê, Demi-pliê e uma furtiva olhada no espelho para me saber bonita. O
roteiro das minhas aulas de balé incluía ainda, por minha conta e risco,
um movimento fugidio de nariz em busca do ar perfumado de merenda vindo
da cozinha. Explico: é que a pomposa academia de balé "Dona Silvinha"- lugar
docemente obrigatório às moças da cidade de interior onde nasci - oferecia
um chá da tarde de fazer sair da linha qualquer bailarina iniciante. O maiô
justinho não intimidava.
Claras,
açúcar e ternura fazem
do suspiro uma doce recordação |
Bastava Dona Silvinha desligar a
fita cassete para uma nuvem de tule rosa correr
em direção ao jardim onde a mesa elegante ainda
mantinha segredo sobre a delícia do dia. Maria,
a cozinheira dos melhores abraços do mundo,
gostava de suspense. E de ser recompensada com
beijos lambuzados de carinho. Na manhã em que
contei que ia deixar as sapatilhas para montar
uma banda de rock, ela sorriu complacente.
E fez o melhor doce de que tenho lembrança.
Afinal, disse Maria, era preciso muita doçura para
viver com sabedoria o primeiro suspiro de rebeldia.
Suspiro
RENDE 44 UNIDADES
1 xíc. (chá) de claras
2 xíc. (chá) de açúcar
Em uma tigela misture as claras e o açúcar.
Leve ao fogo em banho-maria até
amornar. Transfira para a batedeira e bata
até formar picos bem firmes. Coloque
em um saco de confeitar e distribua os
suspiros em uma assadeira forrada com
papel manteiga. Leve ao fogo bem baixo,
sem preaquecer, até dourar. |
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