Estilo Natural
Edição 21 - Maio/2005
Sumário da Edição
Edições Anteriores
Editorial
Cartas
Pura Essência
Pergunte ao
especialista
Faz bem ou faz mal?
Sabor e saúde
Comida de alma
Laços de família
Beleza natural
Armazém
Atitude solidária
Empório natural
Consciência
Tempo livre
Agenda
Lugares
Fale Conosco
Assine já
Anuncie
Expediente
Para cadastrados
Para assinantes
Na revista impressa




  Olhos para ver

CARMINHA LEVY
CARMINHALEVY@UOL.COM.BR

você consegue enxergar os seres invisíveis? Não se trata dos amigos imaginários que algumas crianças costumam criar, e com quem "conversam" e até "brincam". Estou me referindo a outros seres invisíveis. Aqueles que foram objeto da pesquisa de um mestrando de sociologia numa universidade paulista. Durante seis meses, o estudante vestiu-se de gari e limpou os pátios da faculdade, observando o quanto a função o tornava invisível, como se ele fosse parte da paisagem. Ninguém lhe dirigiu um olhar amistoso ou mesmo indiferente. Por isso ele concluiu em sua dissertação que pessoas que realizam trabalhos humildes, sejam quais forem, simplesmente deixam de existir aos olhos dos outros.

Ter olhos para o outro talvez seja o caminho mais rápido em direção a uma nova humanidade"

Tal conclusão levou-me a algumas reflexões. Creio que elas cabem nesta coluna, pois é no seio da família onde floresce o olhar que percebe a existência do outro. Sobretudo do outro mais humilde, que desempenha papéis indispensáveis à coletividade e, em geral, não é reconhecido. Tomemos como exemplo o lixeiro, que exerce uma função de utilidade pública. Já pensou o que aconteceria a uma cidade se o lixo não fosse recolhido? Entretanto, é comum ouvir do pai cujo filho não quer estudar: "Desse jeito, você só poderá ser lixeiro". É com frases preconceituosas como essa que se formam os seres invisíveis, deixando a humanidade cada vez mais desumana e insensível.

Perceber o outro é uma arte. Só quando o indivíduo constata que ele não é o umbigo do mundo, que necessita dos demais, desenvolve-se o ego que o fará caminhar na direção altruísta de valorizar o outro, respeitando sua dignidade e reconhecendo seu papel na sociedade. Obviamente, essa conduta só será estabelecida pelo exemplo dos pais, da escola e do intercâmbio entre os amiguinhos. Reconhecer com um "bom dia", "obrigado", uma palavrinha ou um sorriso quem nos atende, principalmente os empregados domésticos, é uma forma de tornar a vida dessas pessoas mais leve. Às vezes, após um dia cansativo de trabalho, esse ser invisível recebe o cumprimento como um flash que, por segundos, ilumina sua vida.

Ver o outro, dar corpo aos seres invisíveis, será também um caminho de paz e de concórdia, pois uma das causas da violência é o não reconhecimento dos direitos alheios. Tendo olhos para ver, uma chama se acenderá nos corações dos que estão empenhados na força da transformação, trazendo uma nova esperança para a humanidade.

KRIZ KNACKCARMINHA LEVY É ARTETERAPEUTA, PSICÓLOGA JUNGUIANA, MESTRE XAMÂNICA, FUNDADORA E PRESIDENTE DA PAZ GÉIA, ESCOLA DE XAMANISMO.

Faça já sua busca
no site da revista Estilo Natural

Cadastre-se já no boletim da revista Estilo Natural



Copyright © 2007 - Símbolo Comunicação - Direitos reservados
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação sem autorização.