Como se sentem as mães que viveram os anos da revolução sexual quando descobrem sobre a perda da virgindade da filha? A maioria das mães de adolescentes de hoje viveu a época em que perder a virgindade era quase uma exigência do grupo. Geralmente essas mães, adotando um pensamento e comportamento equivocados, tornaram-se "amiguinhas" das filhas. Querem partilhar tudo, não só a vida sexual da filha, como também a sua própria. Quebra-se, assim, aquela barreira saudável que preserva a privacidade de ambas. É tudo muito bonito, colorido, irresponsável, até o dia que a filha fala da sua primeira vez...
Se a mãe não tem ainda sua sexualidade resolvida e ancorada na afetividade, cria-se neste momento um grande "buraco" de espanto. O usual é que a mãe não fale mais nisso e, simplesmente, aja como se nada tivesse ocorrido.
Não estou aqui defendendo que o diálogo sobre sexualidade não deva existir. Pelo contrário, chamo a atenção para a partilha amorosa entre mãe e filha, respeitando-se a verdade e os limites. Para a mãe que construiu uma relação de respeito e confiança mútuos, a revelação da primeira vez é vivida como um momento mágico de grande transformação.
O que importa é que a primeira vez dos jovens seja afetivamente consagrada |
A sua criança não é mais uma menininha, mas, sim, uma mulher que penetrou nos mistérios do sexo. Cabe à mãe amorosa e responsável proteger a saúde psíquica e física de sua filha, enfatizando a excelência do afeto no ato sexual e, pelo lado prático, levando-a a uma ginecologista. Ela deve orientá-la não só sobre os riscos de uma gravidez precoce, como também sobre doenças sexualmente transmissíveis. Mas o que irá determinar o equilíbrio da adolescente sobre sua vida sexual é como o afeto e o respeito entre pais e filhos é vivenciado no seu cotidiano. Filhos que sempre receberam dos pais respostas claras às suas perguntas sobre sexo, com o respeito devido ao entendimento da sua idade, e pais que mantiveram uma distância saudável entre sua vida sexual e a dos seus filhos estarão prontos a enfrentar esta fase.
Isso é válido para os meninos também, cabendo ao pai ser o principal orientador, o guia nesta viagem em busca da virilidade. Já se foi o tempo em que os pais levavam os filhos aos bordéis para iniciá-los por uma profissional. Hoje as meninas estão aptas para compartilhar com eles esse momento.
O que mais importa é que a primeira vez do jovem seja também afetivamente consagrada. Nada mais traumatizante para um jovem que, pressionado pelos amigos a viver a iniciação sexual, sofre o impacto de não conseguir por não estar preparado. Ele se sente violentado nos seus sentimentos. Ensine- o a viver o seu "timing", ajude-o a perder o medo de falhar e estará contribuindo para sua definição sexual, sua sexualidade sadia, sem machismo e preconceito, pois o sexo é a maior dádiva que a Mãe Terra nos presenteou. A primeira vez deve, em ambos os sexos, ser vivida honrando a vida, com afeto e respeito por si e pelo outro, o que marca para sempre a fortaleza da auto-estima e da dignidade.
* Carminha Levy é arteterapeuta, psicóloga junguiana, mestre xamânica, fundadora e presidente da Paz Géia, escola de xamanismo em São Paulo