Estilo Natural
Edição 27 - Dezembro/2005
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Aprendendo a conviver
  conliberte-se do jugo da crítica

POR CARMINHA LEVY*

FIM DE ANO, época de consciente ou inconscientemente analisarmos o que fizemos com este pedaço da nossa vida. Mas para tal, vamos nos ver através de um amoroso olhar no qual cabem só críticas construtivas a nosso respeito. Definido o rumo, poderemos começar por este ano que passou e pelos muitos que o antecederam. O ponto de chegada agora é o nascimento de uma figura primordial: nosso crítico interno.

Comece por focalizar as lembranças que você tem da primeira vez que foi criticada ou contrariada. Gritou, esperneou, quebrou brinquedos ou ficou muda de raiva? A isto se seguiram palmadas, castigo e a mamãe e o papai viraram bicho- papão e bruxa malvada.

Mas qualquer que tenha sido sua reação, teve que "engolir" esta frustração que se transformou numa grande raiva e em seguida numa "indigestão" que ressoa até hoje, que se chama culpa e a tortura com um amargo gosto na boca. Culpa essa por ter raiva de papai e de mamãe.

Nasce assim, para impedir raiva e culpa, um crítico feroz que diz "não pode", "não deveria", "é proibido", a cada vez que você faz algo errado.

Pais têm que colocar limites, proibições, sem as quais a criança não internaliza este crítico, que é imprescindível na medida certa, pois é dele que vêm as bases da civilização - o que posso e o que não posso em relação a mim e ao outro.

"Pais têm que colocar limites, proibições, sem as quais a criança não internaliza este crítico."

A solução para amenizar este crítico é colocar limites com ênfase na construtividade da crítica, o que se obtem envolvendo-a em amor e compreensão que irá se expressar no acolhimento da frustração da criança.

Como os pais lidaram com seu crítico interno, assim você lidará com o seu crítico que irá ressoar nos seus filhos. Críticas construtivas, além de fortalecerem a auto- estima, impedem que um inferno particular se instale dentro das crianças, perdurando na idade adulta.

Pessoas excessivamente críticas são amargas e difíceis de conliberte- se do jugo da crítica viver, pois lhes falta tolerância e paz interna, que é a manifestação do seu inferno interior. Esta pessoa exala o que popularmente se chama baixo-astral e é digna da nossa compaixão, mas evidentemente não é a melhor convidada para a festa da vida.

E este teor de criticidade bloqueia a capacidade de criar, ela jamais está "pronta" para realizar seus sonhos, pois o jugo da perfeição e da irretocabilidade, que vai desde o bolo para a família ao livro que "deveria" escrever, é a barreira intransponível que não tem força de romper. Encerrando essa reflexão estão os votos de que você tenha auto-aceitação de suas falhas e as dos outros. E que sua mudança de ano-novo seja aprimorar a arte da crítica construtiva, sempre pontuando primeiramente tudo o que a pessoa é e realiza de bom para em seguida colocar o "mas" amoroso que traz a sugestão que você presume que irá fazer esta pessoa mais feliz, sintonizada com a alegria da amizade e da tolerância.

Amor e Paz com muito Axé em 2006!

CARMINHA LEVY É ARTETERAPEUTA, PSICÓLOGA JUNGUIANA, MESTRE XAMÂNICA, FUNDADORA E PRESIDENTE DA PAZ GÉIA, ESCOLA DE XAMANISMO.

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