FIM DE ANO, época de consciente ou inconscientemente analisarmos o
que fizemos com este pedaço da nossa vida. Mas para tal, vamos nos ver
através de um amoroso olhar no qual cabem só críticas construtivas a nosso
respeito. Definido o rumo, poderemos começar por este ano que passou e
pelos muitos que o antecederam. O ponto de chegada agora é o nascimento
de uma figura primordial: nosso crítico interno.
Comece por focalizar as lembranças que você tem da primeira vez que foi
criticada ou contrariada. Gritou, esperneou, quebrou brinquedos ou ficou
muda de raiva? A isto se seguiram palmadas, castigo e a mamãe e o papai
viraram bicho- papão e bruxa malvada.
Mas qualquer que tenha sido sua reação, teve que "engolir" esta frustração
que se transformou numa grande raiva e em seguida numa "indigestão" que
ressoa até hoje, que se chama culpa e a tortura com um amargo gosto na
boca. Culpa essa por ter raiva de papai e de mamãe.
Nasce assim, para impedir raiva e culpa, um crítico feroz que diz "não
pode", "não deveria", "é proibido", a cada vez que você faz algo errado.
Pais têm que colocar limites, proibições, sem as quais a criança não
internaliza este crítico, que é imprescindível na medida certa, pois é
dele que vêm as bases da civilização - o que posso e o que não posso em
relação a mim e ao outro.
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| "Pais têm que colocar limites, proibições,
sem as quais a criança não internaliza este crítico." |
A solução para amenizar este crítico é colocar limites com ênfase na
construtividade da crítica, o que se obtem envolvendo-a em amor e compreensão
que irá se expressar no acolhimento da frustração da criança.
Como os pais lidaram com seu crítico interno, assim você lidará com o
seu crítico que irá ressoar nos seus filhos. Críticas construtivas, além
de fortalecerem a auto- estima, impedem que um inferno particular se instale
dentro das crianças, perdurando na idade adulta.
Pessoas excessivamente críticas são amargas e difíceis de conliberte-
se do jugo da crítica viver, pois lhes falta tolerância e paz interna,
que é a manifestação do seu inferno interior. Esta pessoa exala o que
popularmente se chama baixo-astral e é digna da nossa compaixão, mas evidentemente
não é a melhor convidada para a festa da vida.
E este teor de criticidade bloqueia a capacidade de criar, ela jamais
está "pronta" para realizar seus sonhos, pois o jugo da perfeição e da
irretocabilidade, que vai desde o bolo para a família ao livro que "deveria"
escrever, é a barreira intransponível que não tem força de romper. Encerrando
essa reflexão estão os votos de que você tenha auto-aceitação de suas
falhas e as dos outros. E que sua mudança de ano-novo seja aprimorar a
arte da crítica construtiva, sempre pontuando primeiramente tudo o que
a pessoa é e realiza de bom para em seguida colocar o "mas" amoroso que
traz a sugestão que você presume que irá fazer esta pessoa mais feliz,
sintonizada com a alegria da amizade e da tolerância.
Amor e Paz com muito Axé em 2006!
CARMINHA
LEVY É ARTETERAPEUTA, PSICÓLOGA JUNGUIANA, MESTRE XAMÂNICA, FUNDADORA
E PRESIDENTE DA PAZ GÉIA, ESCOLA DE XAMANISMO. |