Estilo Natural
Edição 29 - Fevereiro/2006
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  Viva a diferença!

POR CARMINHA LEVY*

FOTO: MANOEL MARQUESOLHE SUAS MÃOS...uma é diferente da outra. Cubra metade do seu rosto e vá a um espelho: idem, idem. Se até no nosso corpo a natureza quis marcar a existência sadia da diferença - viva a diferença! Desde o nosso corpo, o núcleo familiar, as relações dos indivíduos em sociedade e a interação entre as nações, tudo seria diferente se aceitássemos o simples fato de que somos diferentes e que é nesse encontro de opostos que surgem nossa força e criatividade, que garantem o contínuo renovar da vida. Recentemente, uma pesquisa revelou que nossos cérebros são regidos pela força da Empatia (mulheres) e Sistematização (homens).

Segundo essa teoria (E.S.), homens e mulheres são classificados pela maior habilidade de sistematizar (analisar, organizar, resolver situações, etc.) ou estabelecer empatia (sentir o outro, ter intuições, responder às emoções alheias apropriadamente, etc). Com sistematização e empatia, respeito e tolerância, produziremos soluções mútuas e criativas. Focalizar as diferenças será muito útil para os pais compreenderem melhor os filhos. Em algumas famílias o filho mais velho é completamente diferente do caçula: é estudioso, obediente, responsável, organizado.

O mais novo é um problema, só faz tudo do jeito dele, é diferente de toda a família. Se estas diferenças não forem aceitas, os filhos do tipo "caçula" seguirão o modelo do "rebelde sem causa" e possivelmente a sociedade perderá um futuro modificador da estagnada ordem vigente - o rebelde com causa. As diferenças no coletivo, além de não serem respeitadas, são motivo de intolerância, preconceito e absoluta falta de respeito para com a liberdade do outro: vejamos algumas amostragens, por exemplo: nosso camuflado preconceito racial que se traduz, em se rotular de no mínimo marginal qualquer negro que tenha posição, carro, ou uma loura (a menos que seja artista ou jogador de futebol).

"Focalizar as diferenças será muito útil para os pais compreenderem melhor os filhos."

Também as torcidas organizadas, que ensandecidas chegam a matar a paulada os torcedores rivais. Ironia - o esporte, o mais potente e saudável canalizador da agressividade em arte e alegria do povo, torna-se arma de destruição e vandalismo. A não-aceitação da escolha da opção sexual chega ao extremo com a Igreja Católica proibindo os homossexuais de ser sacerdotes, impedindo assim que seres humanos com alto grau de empatia e sensibilidade amorosa não sigam sua verdadeira vocação religiosa.

O indivíduo que não aceita o diferente no outro tem uma alma seca e árida e só com muita chuva (afeto) este terreno poderá dar uma flor de tolerância. Às vezes este aprendizado é pela dor: a perda de uma velha relação, uma falência, um filho que se foi. O sentimento de desvalia é tão grande que o impacto da chegada ao fundo do poço o faz ter por si mesmo a misericórdia dos seres humanos mais autênticos.

Mas apesar destas constatações, podemos ter esperança que um dia, aceitar as diferenças faça parte da humanidade. Basta olhar nosso querido país que dá ao mundo um modelo de aceitação das diferenças, do norte ao sul. Cada região com seu musical sotaque, tradições, comidas e esta vastidão abençoada pela mesma língua e a mesma comunicação afetiva que dá a todos "aquele abraço".

* Carminha Levy é arteterapeuta, psicóloga junguiana, mestre xamânica, fundadora e presidente da Paz Géia, escola de xamanismo em São Paulo

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