
Escócia: dá até para ouvir a gaita de fole nas belas ruínas em frente ao lago Ness
MINHA PRIMEIRA VIAGEM, ainda pequenino, foi ao céu. Lembro das noites quentes e perfumadas de verão, quando passava horas observando o intrincado desenho das estrelas naquele imenso campo espacial. Ficava intrigado com o pisca-pisca incessante daqueles delicados brinquedinhos criados por Deus, quase vaga-lumes distantes, e me perguntava se eles enviavam mensagens secretas. Talvez um convite para me juntar àquela ciranda animada. Às vezes, a harmonia era quebrada por uma estrela mais marota que saía da coreografia e iniciava um outro jogo.
"Pés fatigados, mochila no chão. Olhei ao meu redor e foi então que descobri a maior riqueza da minha vida: o ser humano. "
Podia ver seu rastro brilhante, iluminando a escuridão silenciosa da cidade dos homens grandes. Ela se escondia tão bem que meus olhos tímidos - mas atentos - procuravam com teimosia mas se perdiam, se perdiam... e eu me entregava ao sonho: "Venha me encontrar!" Que jornada maravilhosa! Minha segunda viagem foi à Terra. Difícil precisar a data de partida, mas me recordo com detalhes daquele aroma inconfundível do chá de hortelã e dos giros que minha cabeça dava. Era frio, era noite, era inverno, era azul. Pijamas antiquados e confortáveis tentavam me aquecer, mas eu continuava nublado e de meus olhos, neve.
"Nas geométricas e altas montanhas, encontrei a flor mais exótica. Nas tribos mais distantes da África, encontrei um irmão."
Debruçado sobre livros amarelados, mapas e revistas de viagem, arrisquei o roteiro: nas geométricas e altas montanhas, encontrei a flor mais exótica. Nas tribos mais distantes da África, encontrei um irmão. Nas requintadas bailarinas maquiadas como deusas, encontrei o amor. Na Terra Azul do astronauta russo Yuri Gagarin, os continentes pareciam um quebra-cabeça. Para mim, ela não era azul, mas branca como um botão de rosa a desabrochar. Uma jornada de pétalas.
Minha terceira viagem teve como cenário a Escócia, com seus castelos de pedra escuro-vulcânica, seus lagos profundos habitados por monstros e seu céu cheio de enigmas. Pela janela do trem, percebi que era seguido por velhas amigas: as estrelas que brilhavam excitadas, apontando sempre o Norte. Em que parte do globo terrestre eu estava? Sorri confidente lembrando daquela criança que jurava ter visitado o céu - e ninguém acreditou - e do adolescente escondido atrás dos óculos que mergulhava nos mapas- múndi e colecionava cartões postais.
PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>