
ESPETAR O DEDO NUM PREGO DÓI! E é comum, e por que não dizer instintivo, que passemos a evitar que a área machucada seja colocada em situações que possam levá-la a doer novamente. É a velha história de não cutucar a ferida, evitando assim o sofrimento. É dessa forma que o psicólogo e professor da PUC de São Paulo, Nichan Dichtcekenian, enxerga a resistência à crítica. Para ele, as observações negativas vindas dos semelhantes incomodam justamente por atingirem nossas fraquezas e por tocarem em pontos fracos por nós já identificados e, por isso mesmo, evitados: "Se uma crítica não tem fundamento, simplesmente a desconsideramos.
Vale exercitar a nossa flexibilidade diante das observações alheias para torná-las parte da solução e não do problema.
Quando ela machuca, é porque certamente se trata de uma deficiência já reconhecida por nós mesmos", afirma. O fato de sermos criticadas nos coloca em uma situação inversa da que buscamos na maioria das vezes e para a qual somos educadas - a aprovação dos demais. Para todos - em especial para aqueles que têm baixa auto-estima e para os mais perfeccionistas - a situação costuma ser vista como um verdadeiro atentado ao amor-próprio.
Mas é importante ter em mente que cada uma de nossas vivências, mesmo as mais desagradáveis, são portadoras de um aprendizado a ser absorvido. No caso em questão, que de certa forma ingerimos amargamente, o especialista garante que o lado positivo está na oportunidade de nos reavaliarmos: "A crítica, em geral, humilha. A palavra humilhação vem do latim humos e significa 'perto da terra'. E é assim que ficamos por vezes, de joelhos, com a sensação de impotência.
No entanto, podemos aproveitar a ocasião fazendo o papel da própria terra, que é receptiva ao externo, pois esse é possuidor de possibilidades de crescimento e desenvolvimento", diz. Além disso, adversidades desse tipo nos levam a analisar e a avaliar nossos conceitos, fazendo com que busquemos novas referências e abandonemos os princípios que já não nos servem mais: "A crítica leva a procurar um lugar verdadeiro para nós mesmos e a encarar novos aspectos de nossas percepções.
Dessa forma, podemos fortalecer os pontos frágeis da nossa personalidade", completa o psicólogo. Em suma, vale exercitar a flexibilidade diante das observações alheias para torná-las parte da solução e não do problema. Pode parecer difícil no começo, mas acredite: vale a pena.
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